Outro dia estava procurando um documento em um armário em casa, quando me deparei com um papel velho, iniciando o processo de ficar amarelado. Nele constavam todas as anotações de jogos de botão os quais eu havia participado de torneios entre 1989 e talvez 1997, pois neste período eu não anotava as datas dos jogos. Por este motivo decidi montar uma série de posts relatando minha história no futebol de botão, conforme relato abaixo:

Embora brincasse com o velhos times de botão de meu pai desde os 06 anos de idade. Foi em 1989, quando eu tinha 12 anos, formamos um grupo bem legal de amigos que gostavam de jogar botão. Jogava-se em campos tipo estrelão com 6 botões para cada lado, só por volta de 1995 ou 1996 conseguimos ter contato com uma única mesa em medidas oficiais da regra de disco, que ficava na casa de um determinado colega e só lá eram realizados os jogos. Mas voltando a 89 quando tudo começou, o pessoal se reunia na sala ou garagem da casa de algum dos amigos e com um ou dois estrelões passávamos tardes envolvidos na disputa de torneios.

Além de jogar no tempo livre, pois eu só estudava … “que saudade”, ficava horas imaginando, planejando, desenhando, colorindo e posteriormente recortando os escudinhos produzidos por mim no início da década de 90.

Neste período não havia recursos como corel draw, photoshop e muito menos uma impressão laser color para dar vida aos escudinhos, ou seja  tudo era bolado e desenvolvido na mão. Eu achava muito sem graça os escudinhos da gulliver que acompanhavam os time panelinhas adquiridos no comércio local, já os botões puxadores comprados de forma avulsa não vinham com nenhum tipo de escudo ou adesivo. 

Porém eu queria fardar meus times, com a minha cara, então procurava fontes de números legais nos livros do colégio, geralmente os marcadores de cada capítulo tinham essas fontes. A partir deste ponto, transferia tais números para o papel através do velho papel de pão da padaria. Onde este se transformava na minha matriz, logo após montava o escudo redondo ou as vezes quadrado, começavam a ganhar forma desenhados a lápis juntamente com os detalhes da camiseta do clube em questão. Depois coloria com canetinha, lápis de cor ou giz de cera. E o sonho de um fardamento novo se tornava realidade, neste período era muito difícil achar escudinhos de times estrangeiros, só quando vinham na revista placar, que para mim era muito caro na época bancar a assinatura de uma revista. Muitos eu ganhei do amigo André … “Claro que já jogava-mos juntos”.
Também se usava muitos recortes de números dos calendários de anos anteriores e colava os mesmos nos botões, porém nem sempre se encontrava os números na cor desejada, combinando com clube.

Conforme relatado, eu ia montando meus escudos com escalações dos esquadrões da década de 80 e 90, pois todos os amigos gostavam de jogar com times nacionais e em especial disputavam a dupla GRE-NAL. E eu sou Gremista de alma azul celeste, para não me indispor com os colegas eu partia para os clubes estrangeiros. Durante toda minha tragetória no botão, joguei muito pouco defendendo o time do Grêmio, mas sem dúvida tenho um time do tricolor muito bonito com a arte feita por mim e mesmo pode ser visualizado em : Grêmio do Nataniel
Me lembro como se fosse hoje, joguei com vários clubes e seleções diferentes, abaixo seguindo a ordem constam o  relato de cada seleção ou clube que eu joguei botão com uma breve estatística, vamos a elas:

SELEÇÕES
 
Alemanha – Inicialmente eu jogava com a Alemanha de 90 como seleção, pois tinha um amigo que já jogava com a Argentina, a qual eu simpatizava. Jogava apenas com um número preto colado em cima dos botões. Total de torneios disputados: 01 Vice Campeão.
 
Argentina – Quando tive a oportunidade de jogar com  a Argentina realizei diversos escudos diferentes, mas bolei uma inovação: colocar a escalação junto com o escudo. Desenhei com muito trabalho uma matriz do escudo da Argentina retirada de uma revista e um número com as bordas quadradas simbolizando a camiseta real. Decidi então escrever o nome do jogador em papel e colar com fita durex ao lado do simbolo desenhado. Foi a sensação da rua, muitos colegas realizam o mesmo método, era a possibilidade de ter estampado no botão a escalação. Iniciou-se um processo de identificação meu com esta seleção, pelo time copeiro que possuía na época de Maradona. Eram dedicados, copeiros, não entregavam os pontos e tinham o Maradona. Vi jogar muitos craques, mas não vi nínguém jogar o que ele jogou (fazendo a diferença).
Total de torneios disputados: 07 – 06 Títulos de Campeão e 01 de Vice Campeão.
 
Brasil – Qual o garoto não sonha jogar na SELEÇÃO? pois comigo não foi diferente, também reproduzi minha seleção brasileira para as mesas de botão.
Total de torneios disputados: 02 – 01 Título de Campeão e 01 de 3º colocado.
 
Camarões – Meu “xodó” das seleções, isso devido a forma vistosa, envolvente e sem compromisso da Seleção de Camarões da Copa de 90. O Milla deste time era impossível, hoje sempre que posso jogo um amistoso com os Leões Indomáveis (já com um time novo), além deste sempre tenho um jogo de escudos de Camarões guardado.
Total de torneios disputados: 03 – 02 Títulos de Campeão e 01 de Vice Campeão
 
CLUBES
 
Boca Juniors – Foi o primeiro torneio que eu joguei na rua e venci. A escalação era do time da libertadores que contava com Batistuta, ainda em inicio de carreia, Tapia e Diego La Torre.
Total de torneios disputados: 04 – 03 Títulos de Campeão e 01 de 4º colocado.
 
Botafogo RJ – Mesma escalação do campeão brasileiro 1995 que contava com Túlio Maravilha e cia.
Total de torneios disputados: 02 –  02 Títulos de Campeão.
 
Sampidória – Possuía uma escalação diferente constituída pelos que eu acreditava ter de melhor no elenco de jogadores da Seleção da Itália na época.
Total de torneios disputados: 02 – 02 Títulos de Campeão.
Corinthians SP – Este joguei por um curto período, onde realizamos um único torneio com clubes paulistas. E após o Grêmio perder a Copa do Brasil em pleno estádio Olímpico em 1995, nunca mais simpatizei com o clube paulista devido aquela derrota que marcou minha juventude.
Total de torneios disputados: 01 Vice Campeão.
 
Juventude RS – Este foi um dos times o qual me identifiquei, tudo devido a parceria do Juventude com a PARMALAT, que cedia grandes jogadores para atuarem no Ju como Cafú, Sorato, Cuca, Jean Carlo e outros. Principalmente jogadores cedidos pelo Palmeiras. Então a base da minha escalação era a do Palmeiras Parmalat de 1993, que era uma seleção. Ficou marcado pela dificuldade dos torneios disputados, foi memorável esta etapa.
Total de torneios disputados: 03 – 03 Títulos de Campeão.
 
São Paulo – Bi-campeão mundial, com este time enfrentei muito adversário cascudo.
Total de torneios disputados: 08 – 04 Títulos de Campeão, 03 de Vice Campeão e 01 de 5º colocado.
 
Milan – Era o mesmo plantel de puxadores do São Paulo. Com a escalação que havia perdido o mundial para o mesmo São Paulo.
Total de torneios disputados: 03 – 01 Título de Campeão, 01 de 3º colocado e 01 de 4º colocado.
 
Peñarol – Ainda existia a copa mercosul, eu usava uma formação do copeiro Peñarol, fiz jogos memoráveis com este clube. Me marcou pela semi finais perdidas, serviu de aprendizado.
Total de torneios disputados: 03 – 01 Título de Campeão e 02 de 3º colocado.
 
River Plate – Esta “pasion” iniciou por causa do Grêmio, em 1994 quando iniciou a tragetória de inúmeras conquistas, todos os amigos tricolores queriam jogar com o Imortal. Nesta época eu tive a oportunidade de conhecer a Associação Pelotense de Futebol de Mesa (APFM), a qual terminei me filiando em 1999. Lá na APFM vi um lindo time do River Plate com a escalação da libertadores daquele ano. Então resolvi montar um River Plate pra mim, o qual iniciou um casamento perfeito clube vs técnico. Conquistei diversos torneios com o River Plate e a simpatia virou torcida, que por fim virou o clube o qual eu me identifiquei no Futebol de Mesa. Clube o qual eu mais joguei nas mesas de botão.
Total de torneios disputados: 13 – 08 Títulos de Campeão e 05 de Vice Campeão.
 
Neste post decidi expor a história do início dos torneios que disputei, assim a forma como confeccionava os escudos para os meus times. E mostrar para o leitor como as coisas mudaram.
 
Então, aproveitando o momento, após toda esta nostalgia, decidi compartilhar em uma nova série (posts) denominada de“Escudinhos para Botões”, alguns escudinhos produzidos por mim muitos anos depois da saga aqui relatada e com o auxilio dos recursos tecnológicos que possuímos hoje.
 
Particularmente nunca fui muito bom com Corel ou Photoshop, mas realizo o básico para que eu possa confeccionar os escudinhos dos clubes que simpatizo. Mas também nada impediu de criar algumas artes de times rivais.
 
Minhas criações são amadoras e não se comparam aos ilustres desenvolvedores de escudos os quais cito seus links em meu blog. Porém procuro sempre realizar minhas artes com dedicação para que além de aproximá-las da realidade do fardamento, proporcionem diversão aos botonistas que optem por elas.
 
Portanto, a partir de 23 janeiro estarei disponibilizando algumas artes criadas por mim, espero que gostem e aproveitem as mesmas.
Em fim, dando sequência a série “Minha história no Futebol de Botão”, no próximo post vou contar um pouco sobre minha história nas associações de Futebol de Mesa de Pelotas, que se sucedeu no período de 1999 até 2005. Até lá pessoal!